Jovens enfrentam desafios na busca do primeiro emprego

Data: 23/02/2016 - Categorias:

por Lucas Veloso

“Sempre foi difícil trabalhar, mas agora que consegui, as coisas estão mais fáceis”. É assim que a empacotadora de mercado, Alice Cardoso, 17, define sua trajetória profissional.

Para Alice, a busca pelo primeiro emprego começou logo que surgiu o desejo de comprar tênis, roupas e maquiagem. No início, os pais até compravam algumas coisas, mas com o passar do tempo, as vontades da filha mais nova se tornaram cada vez maiores e isso começou a afetar o orçamento mensal da família. Foi aí que a estudante de ensino médio começou a procurar oportunidades perto de casa.

Alice Cardoso, 17 anos
Alice Cardoso, 17 anos

No início, a jovem conseguiu alguns trabalhos informais. “Já fiz de tudo um pouco. Primeiro trabalhei em uma lan house, ganhava pouco, mas dava para comprar algumas coisas que eu queria. Depois o lugar fechou e comecei em uma lanchonete de uma amiga da minha mãe”, comenta.

Entre uma ocupação e outra, sempre surgiam problemas de como conciliar os estudos com os horários de estudo e, por conta disso, as primeiras experiências foram um pouco frustrantes.

De acordo com uma pesquisa feita no período de 2006 a 2012 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os jovens na faixa de 15 a 24 anos que nunca trabalharam possuem 64% menos chances de encontrar um emprego do que aquelas pessoas da mesma idade com experiência em empregos anteriores. Eles também têm 70% menos chances em comparação com os adultos acima dos 25. Ou seja, o difícil, como diz Alice, é conseguir o primeiro emprego formal.

No fim do ano passado, depois de se cadastrar em um site de vagas é que veio a primeira oportunidade real. No mercado Higa’s, Jardim Robru, na zona leste de São Paulo, possui um programa de primeiro emprego focado nos jovens sem experiências anteriores. Com a vantagem da carga horária reduzida, é possível oferecer também aos novos funcionários tempo para se dedicarem à escola.

Atualmente, Alice frequenta as aulas no período da manhã, volta para almoçar em casa e trabalha no horário das 14h às 20h.

Para Paulo Castro, responsável pelo setor de recrutamento de uma rede de mercados a maior dificuldade no ingresso dos jovens no mundo do trabalho é a falta de experiência anterior seguida da dificuldade em  compatibilizar horários e trajetos entre emprego e escola.

Alice está feliz: o percurso de casa até o local de trabalho não costuma levar mais de 10 minutos a pé. “Acho que as empresas deveriam oferecer mais vagas para nós jovens, porque queremos trabalhar e como a gente está começando, a dedicação é muito grande. Eu sou exemplo disso”, conclui.