Mulheres cadeirantes criam empresa para ajudar pessoas com deficiência a conseguir emprego

Data: 16/03/2016 - Categorias:

Por Raphael Preto*

As amigas Tábata e Carolina | crédito: reprodução
Há oito anos, as amigas Tábata e Carolina criaram a empresa Talento Incluir | crédito: reprodução

“Em 2015, colocamos 183 pessoas no mercado de trabalho. Transformamos quase 200 vidas”, comemora Tabata Contrin, 35. Há oito anos, ela trabalha como gerente de marketing e consultora na Talento Incluir, empresa que atua na inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e realiza treinamentos e consultoria para outras empresas.

O novo negócio surgiu a partir da lacuna que havia quando o assunto era inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Mas não só. A história de Tabata também foi a inspiração para a abertura da empresa. Em 2000, ela sofreu um acidente de carro no qual tornou-se cadeirante. Quatro anos depois, voltou a trabalhar como gerente numa loja de cadeira de rodas.

A ideia de criar um negócio pensando nesse público ganhou impulso ao lado da amiga Carolina Ignarra, 37, também cadeirante, que decidiu, finalmente, as portas do negócio. “Eram muitos pedidos de empresas para ela indicasse pessoas com deficiência interessadas em trabalhar”, afirma Tábata.

Apenas em 2015, a Talento Incluir intermediou o contrato de 136 pessoas no estado de São Paulo e 183 em todo o país. “Isso é um grande resultado”, festeja. Além de prestar serviços para outras empresas, as pessoas interessadas também podem cadastrar, gratuitamente, no site da empresa seus currículos.

Adequação à lei

Desde a década de 80, a lei de cotas estabelece que as empresas com mais de 100 funcionários devem contratar um percentual de pessoas com algum tipo de deficiência, que varia de dois até 5%, de acordo com o número de funcionários.  No entanto, a partir do decreto 5296, em vigor desde 2004, houve um aperto na fiscalização do cumprimento da lei.

“Antes, as empresas contratavam as pessoas que já estavam contratadas e faziam uma audiometria, ou seja, uma pessoa com uma perda auditiva de 1% já era considerada alguém portadora de deficiência”, conta Tabata.

O decreto alterou o quadro de funcionários das empresas, que passaram a buscar candidatos com esse perfil. O reflexo disso foi o salto no número de contratação de pessoas com deficiência. Em 2001, havia apenas 601 pessoas no estado de São Paulo, enquanto, 14 anos depois, em 2015, esse índice saltou para 101 mil, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

Embora o alto número de contratações, nos últimos anos, de acordo com Tabata, ainda é difícil o preenchimento de vagas que exigem maior qualificação. “Hoje há vagas com salário de até 21 mil reais, mas não conseguimos preencher”, diz. Segundo o Censo do IBGE, de 2010, 61,1% das pessoas com deficiência não tinham o ensino fundamental; 14,2 % não haviam completado o ensino médio; e somente 6,7% concluíram o ensino superior completo.

*Estudante de jornalismo na Anhembi Morumbi, é também cadeirante e correspondente da Vila Guilherme na Agência Mural de Jornalismo das Periferias